Em encontro no nordeste, dirigentes alertam para descumprimento da lei de cotas
Nesta terça-feira (22), durante o “Encontro Regional de Políticas Sociais e Direitos Humanos”, realizado na Bahia, com participação de dirigentes sindicais do nordeste, a CUT propôs um debate sobre a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
A secretária nacional de Políticas Sociais e Direitos Humanos da CUT, Jandyra Uehara, alertou para a dificuldade que uma pessoa com deficiência tem para encontrar um emprego.
“É muito complicado, nós temos uma lei que determina a obrigatoriedade das empresas estabelecerem uma cota de vagas para pessoas com deficiência, mas ela não é cumprida”, explica Jandyra, que adianta mudanças na fiscalização.
“O estudo com cruzamento de bancos de dados feito pelo Dieese vai nos ajudar a descobrir quais empresas não cumprem a lei de cotas”, afirmou a dirigente Cutista.
Durante o encontro, a economista Ana Georgina, do Dieese, explicou os motivos para a elaboração do estudo de cruzamento de dados. “Nós temos uma lei de cotas que, de fato, não se materializa na inserção dos trabalhadores com deficiência no mercado de trabalho. No Brasil existem 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência. Não estamos, portanto, falando de uma minoria, são quase 25% da população. O mercado de trabalho, principalmente o formal, é marcado por desigualdade, de gênero, raça e pessoas com deficiência.”
A economista ainda lembrou que projetos que tramitam no Congresso podem piorar o cenário. “Caso a lei de terceirização seja aprovada, os trabalhadores com deficiência serão mais prejudicados. Afinal, teremos que fiscalizar a empresa que terceiriza a mão de obra e a contratante, dificultando a aplicação da lei.”
É preciso organizar
Anaildes Campos Sena, coordenadora nacional de Trabalhadoras e Trabalhadores com Deficiência da CUT, afirmou que há dificuldade na organização dos trabalhadores com deficiência.
“Dentro do movimento sindical, nós temos diversos dirigentes que não sabem como abordar um trabalhador ou trabalhadora com deficiência. Não há como organizar trabalhadores com deficiência se esse trabalho não for conduzido por pessoas com deficiência”, afirmou Anaildes.
Para a coordenadora, os argumentos devem ser “familiares” para as pessoas com deficiência. “Na abordagem, os trabalhadores precisam saber que seus direitos são mais violados do que os dos demais trabalhadores e que ele precisa se organizar para garantir seus direitos.”
Para ajudar na organização dos trabalhadores, a Secretaria de Políticas Sociais e Direitos Humanos está distribuindo a cartilha “Direito é bom: nós gostamos e lutamos por eles”. A ideia é que todos os estados tenham a edição, que foi elaborada em 2009 e teve sua segunda versão finalizada em 2015.
Fonte: CUT Nacional
Foto: Divulgação



