Contra preços abusivos nas contas de luz e medidas provisórias e projetos de lei que ferem conquistas dos trabalhadores, CUT-CE, CTB e movimentos sociais foram as ruas no dia 29 de maio
Movimentos sociais parceiros, estudantes e sindicatos de base filiados à Central Única dos Trabalhadores no Ceará (CUT-CE) e à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e estudantes foram às ruas de Fortaleza-CE, nesta sexta-feira (29/5), dando sequência à agenda nacional de lutas contra o retrocesso que vem sendo direcionado à classe. Numa demonstração de mobilização continuada, dois atos pacíficos ocorreram durante o Dia Nacional de Paralisações e Manifestações na capital cearense. Pela manhã, os atos se concentraram em frente à Companhia Energética do Ceará (Coelce), privatizada desde 1998. À tarde, em frente à Contax (terceirizada da Oi).
No alvo dos protestos, a luta contra: os preços abusivos das contas de luz; a Medidas Provisória (MP) 664, que muda as regras para a concessão do auxílio-doença e pensão por morte; e a MP 665, que dificulta o acesso ao abono salarial e ao seguro-desemprego, prejudicando especialmente os mais jovens.
CUT, CTB e movimentos sociais manifestaram sua oposição, ainda, ao Projeto de Lei (PL) 4330. O texto seguiu para o Senado como PLC 30 (Projeto de Lei na Câmara) sem acatar as propostas de organizações como a CUT. Sem essas mudanças, o projeto tramita com armadilhas que atacam a organização sindical e fragilizam a proteção aos direitos trabalhistas.
Para o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros do Ceará (Sindicam), José Tavares Filho, esse é um momento também de sensibilização da sociedade. “Esperamos também que nossos parlamentares no Congresso possam rever suas posições e comecem a beneficiar a população, e não mais meia dúzia de empresários”, defendeu Tavares, que também é um dos diretores da CTB. Para o dirigente, os diretos dos trabalhadores “estão sendo lesados dia a dia”.
Representação nacional
A escolha da Coelce como primeira parada, foi estratégica. Desde as 7 horas da manhã, os manifestantes bloquearam um trecho da Rua Padre Valdevino, que dá acesso à Companhia, para lutar por direitos e contra a onda conservadora da direita que quer aproveitar a crise para derrubar as conquistas da classe trabalhadora. Só aquela companhia, de acordo com o Sindicato dos Eletricitários do Ceará (Sindeletro), possui cerca de 7 mil empregados terceirizados contra apenas 1.200 funcionários próprios.
Unidade com movimentos sociais
Essa sequência de paralisações em conjunto entre centrais sindicais e movimentos sociais é um acerto e um avanço político. “Na atual conjuntura, as posturas da direita têm que ser combatidas com lutas nas ruas, mobilização massiva e, principalmente, com unidade entre o campo e a cidade”, refletiu Josivaldo de Oliveira, representante do Movimentos dos Atingidos por Barragens (MAB) nas manifestações do dia 29. Para ele, a data é uma “consagração e uma confirmação de que esta unidade é acertada.
A mesma avaliação fez Miguel Braz, um dos integrantes do Levante Popular da Juventude. “É importante que participemos de atos assim porque eles vêm de uma agenda de lutas nacional pautada na unidade das centrais e movimentos sociais”, defendeu. De acordo com Miguel, os retrocessos sobre os direitos trabalhistas a que se referem os movimentos sindicais afetam diretamente a juventude. “Como no caso da terceirização e das alterações na concessão do seguro-desemprego”, exemplificou.
Durante os atos pacíficos realizados nesta sexta-feira em Fortaleza, estiveram presentes trabalhadores de várias categorias, como: comerciários, bancários, servidores públicos estaduais e municipais, metalúrgicos, professores e caminhoneiros; além de trabalhadores das áreas da saúde, processamento de dados, telecomunicações e entidades de classe.
Fonte: CUT Ceará



